sexta-feira, 18 de março de 2011

Esquecendo como pedalar.

                    Uma coisa muito comum é ouvir "quem aprende a andar de bicicleta, nunca mais esquece", o pior é nascer sabendo e esquecer uma coisa que nunca esquece-se. Poucas pessoas já experimentaram a sensação de esquecer de fazê-lo. Então, brincaremos de o que é, o que é:

                   Desconheço alguém que nunca tenha achado que já amou alguém, que tenha amado de verdade, que tenha amado muito mais que o possível. Já permiti-me tal proeza...
                   Sequer lembro o dia do ocorrido, quanto mais ainda sinto a mesma coisa pela pessoa. O que vale é o texto mesmo. 


 (Algum dia qualquer, alguns muitos anos atrás.)

               Minhas mãos estavam geladas, embora fosse aula de português - só para enfatizar, foi o típico ano em que eu não aprendi quase nada nessa matéria - eu não prestava atenção em uma só palavra, ocupava-me com outras coisas, talvez, ouvia outras pessoas... A luz solar batia na janela e fazia doer meus olhos, em meio à resquícios e ondulações das letras do professor, meu pensamento contorcia-se. Há algum tempo supunha que amava, que amava muito, amava impossível e possessivamente. De que valeriam declarações e poesias, de que valeriam sorrisos e poucas verdades, de que valeriam falsidades num intervalo tão curto de tempo? De qualquer forma, como eu não prestava mesmo atenção na aula, prestava atenção ao que acontecia, prestava atenção na infantilidade de sexto ano dos meus colegas de turma. Então, assim, sem mais nem menos, aquele que eu, ingênua e platonicamente, "amava" surge em meio ao meu mundo mesquinho de falsas verdades. E foi ali que eu aprendi que eu poderia, sim, esquecer como respirar, esquecer de enviar sinais para meu coração dolorido bater, esquecer de tudo, esquecer do mundo só para ter alguém.

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