domingo, 5 de junho de 2011

Ilusão

            Teu ombro era o aconchego durante o cochilo e suas mãos esquentavam as minhas, enquanto o jazz enchia nossos ouvidos. Logo chegamos. E nossos sorrisos continuavam sinceros. Havia tanta saudade em meu peito. Mais tarde, meus dedos doíam devido as cordas do violão, mas meus olhos nunca cansariam de ver-te. 
              Noutro dia, podia sentir seus dedos acariciando-me o pé da orelha e afastando meus cabelos do rosto. Podia sentir teus lábios em minha testa. E tuas mãos junto às minhas. O vento tocava minha pele descoberta, porém, o calor que seu corpo emanava, era suficiente para que não sentisse frio. E era tão bom compartilhar um céu tão bonito com alguém tão amado; o prazer era infinito. 
                 De alguma forma, você apenas pisava em minhas pegadas. Não precisava de palavras. Eu não queria palavras, e você soube bem como fazê-lo. Esperou o quanto foi preciso. E não falamos nada. Estar ao seu lado era suficiente para afastar a angústia e o mau humor. Esperava algo repentino passar, enquanto via o tecido da rede balançar de um lado ao outro. O olhar fixo no nada. Mãos paradas; ao seu alcance. Tocou-as. Agora meu olhar estaria fixo em você. Seguido por teus lábios colados aos meus. 

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