sexta-feira, 26 de agosto de 2011

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O outro lado da janela. Olho para o lado de fora apenas por olhar, enquanto noto as gotas escorrerem na janela. Está tão frio. Mais um semáforo, mais pedestres andam na chuva. Seus passos apressados são engraçados. É difícil ver seus rostos. O som da água é prazeroso, por mais que não possa ouvi-lo, apenas lembro... Lembro de você, de como seria prazeroso te olhar fixamente, te ouvir, sentir sua carícia em minha nuca. O branco da faixa de pedestres dói nos olhos. Sua panturrilha, tenho certeza de que é a sua. Lembro de algumas vezes em que errei, mas contigo, não errarei, não agora, não hoje. Abro a porta e ando na chuva. Grito seu nome. Você escuta. Corro para junto de ti, para estar em teus braços e olhar em teus olhos. O prazer do meu tênis na água, do banho de chuva, do calor da luz. Só nós dois entre tantos outros. Não quero perder isso. De esquecer do mundo contigo. Que bom abraço, que bons braços. Te olho, que olhos bonitos, profundos. Alguns que esperem, mas já não posso aguentar, ao menos "roubo" um pouco do seu calor. Não sinto frio. Ouço meu coração pulsando. Sinto a adrenalina, e um sorriso brotando no rosto. Você não é igual ao que esperava... É melhor. Não são mais pixels. É você, de carne e osso. Não são necessárias palavras. Um toque. Nossos lábios colados um ao outro. Seu aperto firme, como se não fosse soltar nunca mais. Separados; ainda assim estaríamos juntos. Aperto sua mão. Mais um sorriso que me acompanha. Não me importo com a roupa molhada. Caminho como se não existisse gravidade e te vejo ir. Ir outra vez, mas desta, bom, não foi em vão. Nada é em vão. 

Verdade? Foi mesmo verdade? Um sorriso cresce em meus lábios. Nada de comentários, só pensamentos, só prazer, só você.

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