sábado, 10 de setembro de 2011

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Você fecha os olhos e pode se sentir um pouco perto do que eu sinto, do que eu não vejo, mas não vê o que imagino. Não sabe quantas vezes eu gostaria de saber o azul diferente de leveza, tranquilidade, clareza e calma e ver o céu azul.
Você tapa os ouvidos e pode tentar sentir o que sinto, não ouvir, procurar o agrado por meio de outros sentidos. Não sabe como eu gostaria de ouvir minha própria voz e poder gritar, mais fácil que fazer outros sons por atenção, também não sabe como eu gostaria de ouvir a voz de outro alguém e a música.
Você senta numa cadeira de rodas e acha divertido brincar nela, deixar as pernas descansadas um pouco, virar-se como possível. Não sabe como eu gostaria de caminhar, sentir a areia nos meus pés e as ondas quebrando na ponta dos dedos.

Áreas diferentes (nos) me chamam a atenção. Gostaria de entrar na mente de um cego e saber como é seu mundo sem todas essas diferenças estabelecidas e sem, muitas vezes, a beleza que a diversidade nos proporciona. Eu provavelmente gostaria, se fosse surda, de ouvir a voz de alguém de quem eu gostasse. Se estivesse "aprisionada" a uma cadeira de rodas, gostaria de andar, de me virar sozinha com tudo, de saber a sensação boa de praia. Enfim, eu gostaria de ser diferente, por pelo menos alguns instantes, só por uma ocorrência para ficar na lembrança. E você? Há pontos bons e pontos ruins, precisamos aceitar e aprender a conviver. 

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