sábado, 28 de janeiro de 2012

Cegueira.

Não lhe pergunto o que há a sua volta, se usa o mesmo colchão há 8 anos, se deita numa rede ou se divide o quarto com um colega. Não lhe pergunto se passou no vestibular, se está estudando, se passou um ano sem fazer nada ou se teve algum redimento. Não lhe pergunto se trabalha, em qual bairro, cidade ou país reside, quantos celulares carrega, quantos aparelhos televisivos tem em casa ou se escuta música usando um MP4, um iPod nano, um iPod touch..., ou um fone de ouvido Philips, Clone, Sony, Gratitude ou Beats. Não lhe pergunto se estuda num colégio bom ou mediano, público ou particular. Porém, partilhamos o mesmo mundo, fazemos parte de uma mesma sociedade, eu e você. Pense, apenas, em como seria detestável um mundo onde só existisse eu e eu, ou você e você, onde existisse apenas um gênero musical, uma roupa, e uma cor... Seríamos escuridão? Desconhecidos? Teríamos medo de nós mesmos? Temos medo do que não conhecemos, do que não gostamos. O fato é que, desde que a desigualdade social começou a se propagar, por motivos econômicos, políticos e sociais, um preconceito altíssimo tem se derramado por entre nós, porque fulano tem casa em tal bairro, porque sicrano estuda em tal escola e porque beltrano frequenta tal lugar. Temos direito de ir e vir, de sermos nós mesmos, porque num lugar onde somos privados da oportunidade de nos igualarmos, nos resta dar de cara com a ignorância, nos resta lutar por nossos direitos. O grito por respeito, tenho certeza de que começou há muito tempo, e que, a cada dia, alcança níveis maiores, então, continuemos gritando por aquilo que é nosso, por aquilo que não é feito, e por aquilo que é necessário. Grite e lute pelo que você quer, e pelo que acredita que a sociedade merece. À medida que nos acomodamos ao que nos incomoda, aprendemos a aceitar de cabeça baixa, a tomar banho com os óculos no rosto, com os olhos cegos... Há tempo e espaço para as nossas lutas, para os nossos gritos, e há, também, espaço para os nossos respeito e direito.  

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