quinta-feira, 19 de abril de 2012

Chuva

Amar-te tanto dói no peito.
Num instante, há um céu azul, claro, agradável. Um céu de braços abertos para o mundo, para o futuro, para o novo. Noutro instante, há segredos, sorrisos, verdades, lágrimas, abraços, olhares condensados em fragmentos, fragmentos de picos. Picos que resolvem cair sem data marcada, um imprevisto na chuva de compromisso, um imprevisto na chuva de contradições, um imprevisto nas vontades e no humor. Imprevisíveis como as vezes em que me deixa e fica comigo. Sempre imprevisíveis como quem encontrar no pico de movimento em ruas conhecidas, imprevisível como quem encontrar no supermercado em véspera de Natal, imprevisível como a vida e como a morte. Quero que você tenha seus horários na minha agenda, não, não quero seu nome só em horários específicos, quero seu nome a qualquer hora, quero sua presença, seu toque, seus olhares, quero que nossos imprevistos cotidianos sejam motivos de amor, de verdade. Amor é um só, não se perde, se transforma, como todas as coisas ao nosso redor... Em eternas transformações. Em marés, marés de amores e dores, marés de cores e de um mundo bicolor, marés de bons e maus, de prós e contras, de pré e pós. Quero deixar a maré de lembranças a que você me submete nos imprevisíveis dias à distância, nos vários anos, nos dias sem ti. E você, leitor, em qual maré está? Por quê? Há quanto tempo? Está na praia vendo os outros lutarem sempre com a rotina, com o tempo e o cansaço?

Até a próxima onda.

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