quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Da miserabilidade

Assustou-me o tamanho da sua tristeza, o tamanho miserável do que é permanentemente bom.
Assustou-me sentir todo esse peso que você carrega nas costas.
Assustou-me, principalmente, saber o quanto carrega.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Dubitare

Os passarinhos comeram as migalhas de como desfazer essa (e)stória que inventou em pensamentos - tal qual em João e Maria. Talvez aterrorizado, o subconsciente se prende à ela, deixa-se afogar e ser afagado por ela. Tão doce e tão amarga, e um misto de bom, mau e ruim aflora, um pouco incomodado e agradecido por esta antítese que invade o íntimo, assim como a necessidade daquele corpo. Aquele que, agora, habita seu interior. Habita por uma escolha louca - por ter deixado o tempo, que passou tão rápido, e as ondas, que passaram por sua pele insensível, levarem-na. 
Foi-se a vanguarda e a medicina e o alemão comparados às aulas de inglês, ficaram as mentiras na bolsa, as garrafas de vida com as quais se embebedou antes de se sujar com aquele cigarro único. E, assim como aquela carteira e aquele isqueiro apareceram como o primeiro trago daquela nova droga que inundou-a em pororocas do encontro entre o bom e o certo, tudo se resumiu à piúba - àquela piúba fixa em sua mente, ainda sem destino - e ao batom e ao sabor convertidos em lembranças, pelas  quais seu corpo implora, mas não aceita mais de modo descriterioso.

domingo, 13 de julho de 2014

De música (amor demais por esta e por esta versão): Bang Bang

"BANG BANG, I shot you down."

Comum

Como quem contraria a correnteza em segredo - talvez nem seja contrariar, mas segui-la... - parece que as bocas e os corpos se desejam nesta vida meio Nelson Rodriguiana que têm se permitido, e se querem mais e mais.
Alimenta a mente sã e o corpo são, a vida e o conhecimento, o espírito que as bocas falam por aí estar em transição, estar sendo influenciado. E quem disse que era errado? Por que assim? Talvez o seja porque seria assumidamente um caos, mas é inevitável. E igualmente aos nossos pensamentos livres, permitimos que nossas bocas cerradas falem uma a outra, nossos olhos ilegais leiam um ao outro e nossas mãos entrelacem-se neste vermelho que nos invade.
Mas quem é você? Quem sou eu? De onde veio essa vontade de se ver, de se ter, de se sentir? Por que assim? Apenas surgiu. Se não fosse para acontecer, não sentiríamos nada, disse-lhe antes. Um adeus. Uma volta. Perdeu-se nas palavras que fingiu... Elas viraram verdade, todas. Como quem compra um one-way ticket, não quer mais sair desta aventura, anseia... Só quer viver!
                                                                                           BANG BANG, I shot you down, disse a vida.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Horta

Há mais ou menos 6 meses, decidi que queria fazer uma horta. Na verdade, já queria há muito tempo, mas foi em dezembro que, de fato, comecei. Fui a um Viveiro de Plantas próximo à minha casa, os atendentes de lá são supergentis. Comprei a bacia, a terra e as sementes lá. Plantei berinjela, agrião, tomate e pimentão. O agrião não pegou, e o tomate e a berinjela já deram frutos. Fiz as plaquinhas com palito de churrasco, uns pedaços de tela velha e barbante.
No dia em que plantei.


Uma semana depois.
(Muito feliz porque as folhas apareceram.)












Por enquanto é isso.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

À deriva

E por um "sim", viveu a vida pela qual anseia.
E por um "e se", tentou esquecer seu rosto e seu corpo.
Mas ele se fez extensão nela e dela.
Que dele fez esperança de ser mais viva e de se entregar ao desejo de vida.

Ele, cujos olhos foram um oceano de sensações...
Curiosos, preocupados, urgentes, carinhosos e desejosos
Ele, cujo beijo preencheu-lhe a mente e libertou-a de um vício,
teve marca de início num desconhecido
Num desconhecido pelo qual, hoje, seus lábios esperam e imploram
Que seus lábios pedem uma vez mais.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Desayuno

Quando acaba o dia, ela está livre... 
Livre para ver o mundo, para amar qualquer um, para viver uma vida sem amarras. E mesmo ele, o pior, por beber na xícara quase intacta, com marcas de apenas um batom, e o melhor, talvez, do qual o batom bordô, cujos sabor e cor nunca deixarão a lembrança, não aprisionou seu coração, aquele que em outro momento quis amá-lo e hoje precisa escolher entre o certo e o bom.

"Escolha!"

O certo. Uma enchente inunda ambas as mentes, porém são os mesmos lençóis, com outros perfumes, que não o dele ou dela, mas o Dela, aquela cujo perdão ele tem, regado a beijo de café, quando o dia amanhece, e regado a frescor, quando o dia anoitece, e os deles que ela ainda pode escolher a dedo. Sem olhares, sem provocações.

O bom. Uma enchente inunda seus corpos, os quais querem se perder um no outro. Querem ficar juntos até que amanheça, até que simplesmente vejam que era só aquilo, só aquela vontade de se ver, de se ter. Quando a explanação sobre as intimidades e futilidades sejam como o açúcar que se dissolveu no café-pequeno, que, apesar de parecer doce, é essencialmente amargo. 

"Escolho."

Imerso em si, em seu escapismo e em sua imortalidade, sem perceber o pôr-do-sol acompanhado da solidão, sem perceber a xícara vazia quando acorda. As sereias ainda o levam ao fundo do mar de desejo e prazer, na Ilha de Jamais. Ainda o imergem tomado por seu viver à vida como ela é. 

"Escolhi."

E no final da noite, ele ainda volta àquele cais onde ancorou seu veleiro, o qual deixa certas noites, no entanto, sempre cumprindo a promessa de voltar quando os primeiros raios alaranjados pintam o céu.

domingo, 30 de março de 2014










 Não sabe como e por onde (por si mesma) começar...
Apenas sabe que tem que recomeçar e agora.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Frutas Cítricas

Nada como um substituir de cortinas que impediam a entrada de luz e de calor e prejudicavam o crescimento de todo um universo interno. Atrapalhavam o sabor de uma vida boa de ser degustada, que acabava apenas engolida de maneira gulosa.
Quem sabe a troca das mesmas tenha sido realmente benéfica...
Apenas para relembrar que é sempre bom se afogar no perfume das flores que entra pela janela - agora aberta - e que espera-se que em pouco tempo inunde as lembrança prestes a florescerem na nova primavera. Quem sabe, talvez, até floresça num coração adormecido aquela emoção há muito esquecida, com aquele gostinho de colo de mãe e guloseimas de avó.



sábado, 11 de janeiro de 2014

Vértice

A tarde que se vai com as nuvens alaranjadas do verão e das férias ainda não acabadas me mostra como a vida é engraçada. Como são engraçadas as tantas coincidências vividas numa trilha que dificilmente se sabe como se desdobrará...

Nesse ano, tive muito contato com música, felizmente, e como é comum em colégios, tivemos apresentação de final de ano. Eu estava aquecendo minha voz e uma senhora falou comigo perguntando quais exercícios eu fazia para aquecer a voz, eu demonstrei, e, tudo bem, ela foi para o auditório, passaram todos os outros alunos e finalmente chegou minha vez, tocamos um medley de Onde Anda Você e Regra Três em homenagem ao centenário de Vinícius de Moraes, que se deu naquele ano, e cantei um medley de Somewhere Over The Rainbow e Além do Horizonte em homenagem à nossa diretora, errei a letra de Somewhere Over The Rainbow, mas mesmo assim fiquei satisfeita com o resultado. Depois da apresentação, a mesma senhora que tinha me perguntado sobre os exercícios foi só elogios, vários, mesmo que eu tenha errado. Fiquei muito agradecida, mas partimos, cada uma para seu lado, para sua vida. No último final de semana, uns amigos e eu fomos ao show de Lulu Santos em Pipa, mas antes, passei no supermercado, eu estava com pressa, mas parei para olhar algum produto e acidentalmente - não estou me abstendo de culpa - meu carrinho bateu na sandália de uma senhora que estava na minha frente, parada, olhando, também, algum produto nas prateleiras. Logicamente, falei: 
"Desculpa." 
E sua resposta foi:
"Não."
Eu fiquei perplexa, não sabia o que responder, fiquei esperando um momento pra ver se era uma ironia, como se estivesse brincando, mas ela "abriu espaço" no corredor e me mandou passar de modo bem rude e ficou resmungando. Continuei perplexa e tentei me explicar, mas não tive espaço para fazê-lo, por ela ter me cortado assim que comecei a falar. Naquela hora, aquilo me deixou extremamente irritada, fiquei indignada, por ela ter sido extramente grossa comigo e nem me conhecer e eu nem ter feito nada de errado propositalmente, mas eu estava tão impressionada que não dei resposta nenhuma, portanto, felizmente não houve discussão nem nada e fiquei me perguntando seus motivos. Passou. Quando foi à noite, fomos ao show, e para minha surpresa, quem eu encontro?! Pois é. Eu tenho certeza de que ela me reconheceu de algum lugar, mas não imediatamente da situação que havia ocorrido pela manhã ou pelos elogios de dois meses atrás, talvez tenha lembrado depois do supermercado e ficou aparentemente com o rabo entre as pernas, mas fazer o quê?! As pessoas se esquentam, às vezes. Se excedem. E, hoje, uma semana depois do que acabo de contar, repentinamente me lembro dos elogios e penso, mais uma vez, como a vida é engraçada. E talvez seja essa graça que torne interessante se perguntar o porquê das coisas acontecerem. 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Devaneios

Até tento
Ti acá lento
Lento
Alento.
Tu, vento
Eu, catavento.

Música inspiração

Minhas palavras andam meio lentas para saírem da mente, mas fervilhando lá dentro, portanto, por enquanto, deixo uma música inspiração, que me tocou no último final de semana.



"Hoje o tempo voa, amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo que há pra viver
VAMOS NOS PERMITIR"