segunda-feira, 14 de abril de 2014

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Desayuno

Quando acaba o dia, ela está livre... 
Livre para ver o mundo, para amar qualquer um, para viver uma vida sem amarras. E mesmo ele, o pior, por beber na xícara quase intacta, com marcas de apenas um batom, e o melhor, talvez, do qual o batom bordô, cujos sabor e cor nunca deixarão a lembrança, não aprisionou seu coração, aquele que em outro momento quis amá-lo e hoje precisa escolher entre o certo e o bom.

"Escolha!"

O certo. Uma enchente inunda ambas as mentes, porém são os mesmos lençóis, com outros perfumes, que não o dele ou dela, mas o Dela, aquela cujo perdão ele tem, regado a beijo de café, quando o dia amanhece, e regado a frescor, quando o dia anoitece, e os deles que ela ainda pode escolher a dedo. Sem olhares, sem provocações.

O bom. Uma enchente inunda seus corpos, os quais querem se perder um no outro. Querem ficar juntos até que amanheça, até que simplesmente vejam que era só aquilo, só aquela vontade de se ver, de se ter. Quando a explanação sobre as intimidades e futilidades sejam como o açúcar que se dissolveu no café-pequeno, que, apesar de parecer doce, é essencialmente amargo. 

"Escolho."

Imerso em si, em seu escapismo e em sua imortalidade, sem perceber o pôr-do-sol acompanhado da solidão, sem perceber a xícara vazia quando acorda. As sereias ainda o levam ao fundo do mar de desejo e prazer, na Ilha de Jamais. Ainda o imergem tomado por seu viver à vida como ela é. 

"Escolhi."

E no final da noite, ele ainda volta àquele cais onde ancorou seu veleiro, o qual deixa certas noites, no entanto, sempre cumprindo a promessa de voltar quando os primeiros raios alaranjados pintam o céu.