terça-feira, 6 de outubro de 2015

União obsoleta

O título já é praticamente autossuficiente, tal qual bem podemos ser, depois que a vida é tão nossa quanto somos dela, mas por que essas obsolescências são tão naturalizadas? Não que eu esperasse algo mais, nesse caso... Já entendi que é tão natural pra muitos nós, que tento nem ligar mais... É tão simples entrar e sair da vida dos outros, tão simples não ser ou ser e depois não ser nada mais, nada além de alguém que já passou.

- Oi. Preciso de alguém que ocupe meu vazio!
- Então, não tão bem. Também preciso de alguém que me ocupe, mas me ocupe a mente.

Aliás, parafraseando Shakespeare, realmente entendemos, com(o) o tempo, que beijos não são contratos. E nesses não-contratos os dias foram tranquilos, os dias foram de vazios preenchidos, os dias foram e continuaram sendo, e continuarão sendo, mas já não nesses beijos. Naqueles beijos nem tão vazios, naqueles beijos que alimentam o ser, naqueles beijos que alimentam o viver. Já não nesses beijos fugidios, não nesses beijos líquidos, cujas palavras parecem suficientes para parecer tudo bem, cujo prazer parece suficiente para finalizar e cuja vontade parece suficiente para voltar. Beijos líquidos, beijos esponjosos. Beijos. Contatos. Não são contratos. 

"Nadie se baña en el río dos veces porque todo cambia en el río y en el que se baña"
(Heráclito)

Também tenho outras pendências a resolver.
Sabe, eu até gostei. 
Desejo que suas vontades continuem te guiando a outras esponjas, 
e que elas transbordem, como não transbordei contigo,
(e eu sei)... C'est la vie.


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